Opinião
4 de abril de 2016

Comunicação estratégica aplicada às organizações

O artigo evidencia que vem se configurando nas organizações um novo modo de pensar e fazer Comunicação. Nesse sentido sua atuação deixa de ser apenas operativa para ser efetivamente estratégica. O resultado disso possibilita consolidar nessas organizações um ambiente capaz de gerar vínculos e articular interesses e expectativas dos atores em prol dos objetivos organizacionais.

por admin

Administrar, especialmente em tempos de constantes controvérsias e desafios de toda ordem, onde a sociedade apresenta cada vez mais demandas é, inegavelmente, reconhecer de que ninguém deve exercer o monopólio da interpretação da realidade, muito menos das propostas e soluções aos problemas que atingem as organizações.

Como elucida Kunsch (2014) todos os atores sociais precisam participar do processo de produção e compartilhamento de sentidos, contribuindo com aquilo que tem de melhor, e ainda mais, reconhecendo que o êxito de todo sistema organizacional depende de como ele se realimenta a partir do sistema da Comunicação, ou seja, a Comunicação não mais como função tática, mas sobretudo estratégica para a sobrevivência da organização.

Fato é que a partir do século XX, vem se consolidando nas organizações um novo modo de pensar e fazer Comunicação, a qual não se restringe a sua capacidade singular da transmissão e o recebimento de conteúdo, a publicização das ações, mas configura-se como elemento estratégico orientado para gerar espaços de relacionamentos que devem constituir vínculos e articular os interesses e expectativas dos atores em prol dos objetivos comuns.

Deste modo, não é mais possível que as organizações simplesmente em busca de visibilidade e legitimação, acreditem que por disponibilizar canais de comunicação mais abertos e intitulados pela estrutura diretiva “mais participativo”, conseguirão alcançar seus objetivos. No entretanto, seu êxito residirá realmente no momento em que desenvolver práticas comunicacionais que viabilizem o consenso, a mediação e implementação efetiva do encontro entre os atores existentes nos ambientes micro e macrossocial.

Assim sendo, a Comunicação nas organizações deixará de ser instrumental para tornar-se estratégica , pois segundo Massoni (2007) sua atuação conjuga-se em trabalhar pelo menos três aspectos, que são:a) simbólicos (mensagens, palavras, imagens, textos e etc.), b)  materiais (canais e práticas e  rotinas produtivas dentre outros), bem como c) afetivos (interesses e necessidades), os quais contribuem para a forma da organização  relacionar-se com seus membros, como também a  maneira em que constrói o vínculo com a sociedade e com outras instituições com as quais ela interage.

Todavia os seus interlocutores já não são mais a priori o emissor/receptor, e sim atores que vão se construindo em uma trama conversacional, onde podem expressar-se, escutar-se e propor uma relação diferente com os demais atores sociais, na qual o diálogo não se alicerça com base nas tensões, nos conflitos, nas diferenças, na força e no domínio, mas propriamente pela capacidade de colocar em comum os interesses e necessidades que envolvem os diversos públicos.

Certamente será num mínimo um equívoco, dizer que a responsabilidade de promover uma Comunicação Estratégica em qualquer organização, fica circunscrita aos especialistas em Comunicação, e sim que deve ser exercida por uma equipe multidisciplinar que envolva todos os níveis da organização, inclusive de outras instituições, pois como afirma Fausto Neto (2008) o papel conferido à Comunicação nas organizações assemelha-se a um radar cuja função é capturar com antecedência as informações e para isso estabelecer mecanismos que possam otimizar o alcance de seus resultados.

Enfim, a denominada Comunicação Estratégica  abre caminho para um novo modus operandi de se fazer comunicação organizacional , pois  rompe com a  tradicional tarefa de passar a prescrever receitas milagrosas com a finalidade de promover o alcance dos objetivos organizacionais, para  atuar na resolução de problemas dentro do ambiente  micro e macrossocial, dedicando-se a uma interpretação da realidade (dos fatos, dos acontecimentos e do mundo) a partir de uma nova relação entre a organização e seus públicos, do não mais apenas “tolerar-se e sim compreender-se”.

 

Referências

FAUSTO NETO, Antônio. Comunicação das organizações: da vigilância aos pontos de fuga. In: OLIVEIRA, I. de L.; SOARES. A. T. N. Interfaces e tendências da comunicação no contexto das organizações. São Caetano do Sul: Difusão, 2008. p. 39-64.

KUNSCH, Margarida M. K. Comunicação Organizacional: Contextos, paradigmas e abrangência conceitual. São Paulo: Matrizes, V. 8, n° 2, jul-dez, 2014.

MASSONI, Sandra. Estrategias: los desafíos de la comunicación en un mundo fluído.. . Rosario, Argentina Homo Sapiens Ediciones.,  2007.

Maryângela Aguiar Bittencourt

Professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Coordenadora do curso de Tecnologia em Gestão Pública da UEA, Doutoranda em Administração pela UNR/Rosário/Argentina e Mestre em Administração Pública pela FGV/RJ/Brasil.

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